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Mancha branca do camarão: um risco presente para a produção de camarão marinho no Brasil

As mais importantes doenças de etiologia infecciosa que ocorrem em camarões cultivados são ocasionadas por micro-organismos classificados como patógenos oportunistas, pois assumem caráter patológico apenas em determinadas condições ambientais ou fisiológicas adversas em que o hospedeiro se encontra.

 

Fotos 1: Característica da doença: manchas brancas na carapaça da cabeça dos camarõFotos 1: Característica da doença: manchas brancas na carapaça da cabeça dos camarões.

 

 

A doença da Mancha Branca é uma destas. Uma séria ameaça à produção de cultivo no Brasil, que tem se expandido rapidamente nos últimos 20 anos. O Brasil ocupa a oitava posição mundial, com uma produção equivalente a 65.000 t em 2007.

As enfermidades virais ocorrem quando existe elevada carga viral no meio, em contato com uma população suscetível e que se encontra sob estresse. Por outro lado, algumas infecções virais são menos agressivas e algumas espécies são menos virulentas que outras. No começo da década de 90, havia sido diagnosticadas seis doenças virais e, atualmente, já são conhecidos mais de 20 vírus que afetam os camarões.

Foto 2: Característica da doença: manchas brancas na carapaça da cabeça dos camarões.

Até o momento, sete vírus foram detectados e/ou registrados em cultivos no Brasil: Baculovirus penaei: responsável pela enfermidade “doença do baculovirus”; PmSNPV: responsável pela “doença do Monodon Baculovirus (MBV”); IHHNV: responsável pela “necrose hematopoiética e hipodermal infecciosa”; HPV: vírus da “hepatopancreatite viral”; TSV: Agente etiológico da “síndrome de Taura”; IMNV: vírus responsável pela “mionecrose infecciosa” e WSSV – vírus da “Síndrome da Mancha Branca”.

A Doença da Mancha Branca ou Síndrome da Mancha Branca – SMB (White Spot Syndrome – WSS) é causada pelo vírus de mesmo nome (WSSV), pertencente ao gênero Whispovirus da família Nimaviridae, classificado inicialmente na família Baculoviridae. Há descrito somente este gênero, Whispovirus, com um único representante, o White spot syndrome vírus 1 –WSSV. Este vírus tem, como uma de suas características, a possibilidade de ter inúmeros hospedeiros, entre eles, grande variedade de crustáceos (camarões, lagostas, copépodos), larvas de insetos e em camarões peneídeos, especificamente. O vírus já foi detectado em todas as fases de crescimento e a transmissão pode ser horizontal — pela água ou pela prática do canibalismo, estando os camarões infectados entre aqueles canibalizados — ou vertical, passando das fêmeas para os ovos, com o aparecimento de larvas já contaminadas. O vírus tem este nome devido à característica da doença, que é a formação de manchas brancas na carapaça da cabeça.

Foto 3: Histopatologia.
Foto: A.M.C.R.P.F. Martin

A Síndrome da Mancha Branca não é uma zoonose, ou seja, não representa nenhum perigo para o ser humano, mesmo com a ingestão de animais doentes. Entretanto, a sua presença é altamente limitante em termos comerciais, principalmente devido ao aspecto visual.

No Brasil, em final de 2004, na região Sul do Brasil houve as primeiras manifestações desta doença no País, causando grande preocupação e colocando em alerta o setor produtivo da carcinicultura brasileira devido à gravidade dessa enfermidade, sendo que algumas fazendas afetadas tiveram 100% de mortalidade. Posteriormente, e aos poucos, esta situação passou a ser controlada e foram tomadas as medidas de controle específicas para esta doença.

Foto 4: Hibridização in situ.
Foto: A.M.C.R.P.F. Martins.

Como ocorreu a entrada do vírus nessa região ainda é discutível, tendo sido levantadas várias hipóteses, tais como o vírus chegou ao Brasil proveniente do Uruguai, que teria importado pescados de áreas sujeitas à contaminação, ou de larvas provenientes de outros estados e, ainda, pela má qualidade da água. Em 2005, foi feito o primeiro registro doWSSV no Ceará, em espécimes assintomáticos e, apesar da presença do vírus, não foram relatadas ocorrências da doença nos camarões cultivados nesse Estado. 

É muito importante considerar estudos sobre a presença do vírus, sobre seu grau de infecção e nível de extensão nas populações nativas de camarões dos setores afetados. É também necessário considerar o estabelecimento de um programa de monitoramento de longo prazo que emita informação periódica referente ao estado das populações nativas de crustáceos.

Foto 5: Microscopia eletrônica.
Fotos: M.H.B. Catroxoo