A pesca do polvo-comum (Octopus vulgaris) com potes no sudeste e sul do Brasil

O polvo-comum é uma espécie que possui uma ampla distribuição ao longo do litoral brasileiro, com maior abundância nas regiões sudeste e sul, em profundidades de até 200 metros. Com um ciclo de vida relativamente curto, pouco mais de um ano, seu recrutamento anual e biomassa podem variar acentuadamente em função de oscilações ambientais. Até o início dos anos 2000 a captura do polvo-comum era exclusivamente oriunda da frota de arrasto de fundo com portas, como fauna acompanhante da pesca de camarões. O método de pesca utilizando potes teve seu início no estado de São Paulo no ano de 2003. No ano de 2008 observou-se uma concentração de esforço de pesca no sul de Santa Catarina, e algumas viagens para ao sul de Rio Grande (RS).

A pesca com potes se assemelha com a tradicional pesca de espinhel para peixes, composta por uma linha principal e por linhas secundárias, que possuem em suas extremidades potes de plástico, ao invés dos anzóis. Os espinhéis são posicionados com GPS e operados com guinchos hidráulicos. Os potes possuem aproximadamente 33 cm de comprimento e 18 cm de altura, para o assentamento no fundo marinho cada pote recebe internamente um lastro de 1,5 a 2,0 kg de cimento. Apesar de existir uma variação no número de embarcações e da produção entre 2003 e 2010, a captura por viagem variou de 2 a 4 toneladas em São Paulo e de 2 a 5 toneladas em Santa Catarina. Segundo a Instrução Normativa Seap nº 26 de 19 de dezembro de 2008, as regiões Sudeste e Sul foram dividias em duas áreas de pesca, uma do norte do Espírito Santo ao sul do Paraná, e outra do norte de Santa Catarina até a divisa do Brasil com o Uruguai, com um máximo de 18 embarcações permitidas para a primeira área e de 10 para a segunda. Esta arte de pesca se mostra uma boa alternativa econômica para a frota pesqueira comercial. Suas características de técnica passiva causam um baixo impacto sobre o fundo do oceano, e utiliza a estratégia do animal em procurar abrigo e se entocar no pote, possuindo assim um alto direcionamento das capturas.

Estas informações foram retiradas do capítulo 9 do livro “A pesca marinha e estuarina no Brasil - estudos de caso multidisciplinares”. Para saber mais leia o livro aqui!

Fotos: Antônio Olinto e Cabralia Informe

 

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