A pesca amadora no litoral do Rio Grande do Sul

Se considerarmos todos os estados litorâneos do Brasil, o número de licenças de pesca amadora solicitadas ao IBAMA no ano de 2004 foi de 41.340. Deste total, 3.106 (7,5%) licenças foram emitidas somente pelo estado do Rio Grande do Sul. A licença de pesca é obtida através do pagamento de uma taxa anual, sendo válida em todo o território nacional. Onde o limite de captura e transporte por pescador amador em águas marinhas ou estuarinas é de 15 kg mais um exemplar, respeitando os tamanhos mínimos permitidos de cada espécie, e todas as outras proibições e normas federais, estaduais e municipais. A pesca amadora no litoral do Rio Grande do Sul se caracteriza, predominantemente, sem a utilização de embarcações de pesca. As principais espécies exploradas são os papa-terras Menticirrhus littoralis e M. americanus, mas outras espécies de teleósteos e elasmobrânquios são observados com maior ou menor frequência dependendo do local e época da pescaria. Elasmobrânquios são capturados com uma maior frequência por pescadores que utilizam plataformas de pesca.

A região com maior expressão da pesca amadora é conhecida como “Caminho das Águas”, localizada no litoral norte do Rio Grande do Sul, tendo sua faixa litorânea ocupada pelos maiores balneários do estado, como Torres, Capão da Canoa e Tramandaí. Dentro desta área existem três plataformas de pesca, a Plataforma de Atlântida, a de Tramandaí e a da Cidreira. Estas plataformas são feitas de concreto e avançam de 300 a 400 metros em direção ao mar, permitindo que os pescadores pesquem além da zona de arrebentação, explorando assim, águas mais profundas que os pescadores de praia. Alguns pescadores que utilizam a Plataforma de Cidreira registraram voluntariamente suas capturas durante um ano todo. As informações cedidas pelos pescadores foram utilizadas como uma estimativa mínima de captura na plataforma. Observou-se que os papa-terras Menticirrhus littoralis e M. americanus são, em número, as espécies mais comuns na pesca de plataforma, seguidos pelos peixes-rei Odonthestes argentinensis e Atherinella brasiliensis, bagre Genidens spp, tubarão-martelo Sphyrna lewini e corvina Micropogonias furnieri. Porém, considerando o peso médio dos exemplares, a importância da viola Rhinobatos horkelii e das raias nas capturas devem ser consideravelmente maiores. Considerando que estas espécies de elasmobrânquios se encontram ameaçadas de extinção e que as áreas utilizadas pela pesca amadora são justamente as áreas de parto, cópula e criação, seria muito importante implementar programas educativos, como o “pesque e solte”.

 

Estas informações foram retiradas do capítulo 12 do livro “Ações para a conservação de tubarões e raias no sul do Brasil”. Para saber mais leia o livro aqui!

Foto: Veteranosalinas