Variações de longo prazo da pesca no extremo sul do Brasil

Em dezembro do ano passado, os pesquisadores da FURG Manuel Haimovici e Luis Gustavo Cardoso publicaram uma revisão sobre o ciclo de vida, a pesca e a gestão dos principais recursos pesqueiros da Lagoa dos Patos e das águas costeiras adjacentes: bagre, miraguaia, raia viola, corvina, castanha, pescadinha real, maria-mole, anchova, tainha, camarão rosa e siri azul. Nas últimas décadas, os desembarques de peixes no Rio Grande diminuíram mais de 60% e os principais  recursos pesqueiros estão sobreexplotados. A proteção legal tem se revelado insuficiente e a pesca intensa por parte de um grande número de embarcações industriais e de pequena escala ainda continua. O futuro dos recursos pesqueiros estuarinos e costeiros é incerto e é improvável a recuperação das grandes espécies de ciclo de vida longo que ocupam os níveis tróficos superiores.

Os estoques dos peixes de grande porte e de crescimento lento, como bagre, miraguaia e raia viola, caíram no início dos anos 80. O estoque de camarão rosa foi reduzido pela intensa pesca de subadultos no estuário e de adultos no mar. A corvina, pescadinha real, castanha e a maria-mole, que em conjunto representam mais de metade dos desembarques de peixes marinhos locais, estão sobreexplotadas. Estas espécies da família Sciaenidae são mais resistentes à pesca intensa quando comparado com outras famílias por causa de sua maturação precoce e alta fecundidade, mas altas taxas de exploração são insustentáveis ​​a longo prazo. Os peixes pelágicos migrantes, anchova e tainha, e o siri-azul estão no limite de exploração.

Foto: Fábio Dutra

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