Perturbações naturais e antrópicas em recifes de corais: declínio rápido e recuperação em escala de décadas mostra a vulnerabilidade do icônico peixe-borboleta

Perturbações antrópicas ou naturais sobre o ambiente recifal podem afetar assembleias de peixes coralívoros, como o peixe-borboleta. Os pesquisadores Garry Russ e Susannah Leahy documentaram, ao longo de 31 anos, os efeitos de perda e recuperação de corais sobre as assembleias destes peixes em duas ilhas no centro das Filipinas, comparando áreas de proteção ambiental e áreas de pesca controlada. Foram analisados cinco eventos de perturbação (tufões, branqueamento e pesca destrutiva), que reduziram em 61% a cobertura de coral vivo e em 47% a densidade do peixe-borboleta, com declínios de duraram aproximadamente dois anos. Nos cinco períodos de recuperação monitorados, foi verificado um aumento de 202% na cobertura de coral e um aumento de 196% na densidade do peixe-borboleta em pouco mais de 10 anos. A diferença nas taxas de declínio e recuperação do peixe borboleta levanta preocupações para a persistência deste taxon icônico em face da crescente frequência e intensidade de perturbações ambientais sobre os recifes de corais.

Durante o estudo, não foram observadas diferenças na densidade de peixes-borboleta dentro e fora da área de proteção ambiental. A estrutura da assembléia em cada local foi distinta e permaneceu consistente por 31 anos, apesar das perturbações. A freqüência de eventos de perturbação é, portanto, de extrema importância na determinação da persistência em longo prazo da densidade e da riqueza de espécies do gênero Chaetodon. Com as atuais previsões de aumento da freqüência de ciclones de alta intensidade globalmente, a gestão dos recifes de corais na escala local deve procurar eliminar ou minimizar os distúrbios antropogênicos para garantir que as assembleias de recifes tenham a maior chance de recuperação rápida de distúrbios naturais.

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Foto: David Cook - fishbase.org